
"Mamãe, quando é o Dia do Homem?”
Aos 5 ou 6 anos, meu filho do meio surgiu com essa dúvida quando voltava da escola em um dia 9 de março carregando flores e cartões para mim pelo Dia da Mulher.
Fiquei sem resposta.
No século XXI vivemos um momento de tamanho empoderamento feminino que, como mãe de meninos, sinto que temos deixado os homens de lado. Não é por mal. Agimos como quem abre novos caminhos e é natural que a gente caminhe com passos resolutos, sem nem olhar ao redor.
Não por acaso, naquele ano meu marido estava à beira da estafa e vinha me avisando há meses que precisava de um tempo. Felizmente, não queria se ver livre de nós, nem da responsabilidade de ter uma família - acho que muita gente confunde estafa com insatisfação com a vida pessoal e, por isso, separações acontecem!
Ele estava no limite com as responsabilidades de ser chefe de família e do trabalho, que lhe consumia praticamente todas as horas do dia.
Ao final do ano, quando eu comecei dois trabalhos ótimos, ele deixou o emprego. Saiu em férias no Natal e em janeiro não voltou.
Imaginaram a situação? Pois é!
Já estávamos casados há mais de dez anos. Gui tinha me apoiado incondicionalmente quando eu quis ficar em casa logo que os meninos nasceram, então, como eu poderia não entender?
Assim passamos nove meses, praticamente “uma gestação”, comigo megaocupada com trabalhos - foi o período das minhas primeiras viagens a trabalho que duraram dias, eventos noturnos toda semana, uma vida que antes era mais dele - e meu marido cuidando da casa e dos filhos.
Os vizinhos que nos conheciam no prédio há anos não entendiam nada, mas também não falaram sobre o assunto. Homem em casa, num período sabático ou em definitivo, é uma coisa estranha.
As pessoas não sabem reagir com o cara de chinelo e bermuda às 10h30 da manhã no supermercado, com o pai que leva na escola e espera na aula extra no meio do dia, com o pai sozinho na espera do pediatra. Esperam que, na falta da mãe, seja a babá, a avó, enfim, uma figura feminina a assumir a casa e as crianças.
Mas Gui precisava espairecer e se libertar do peso das responsabilidades que carregada chefiando uma empresa e sendo o principal provedor da família. Acho que pensar no que fazer para o almoço, arrumar os uniformes dos meninos, acompanhar as tarefas de escola e deixar a casa em ordem eram um alívio mental.
E foi com esse ano sabático que ele se refez, fortaleceu imensamente os vínculos com os filhos, entendeu na carne o que eu passava sendo a cuidadora principal da casa e dos filhos, mas, sobretudo, se redescobriu em interesses, amizades e no trabalho.
Ao final daquele ano, fizemos nossa primeira viagem sem os filhos - fomos para Porto de Galinhas com amigos, todos sem crianças, mas a maioria pais apaixonados por suas famílias. Na volta, Gui era um novo homem, descansado e seguro do que queria fazer profissionalmente nos anos seguintes.
Assim nasceu nossa parceria profissional (foram 15 anos juntos até descobrir que poderíamos ser sócios) e uma vida muito mais equilibrada, tanto para ele quanto para mim.
E, no fundo, meu querido filho tinha razão: para ter equilíbrio, os direitos têm que ser iguais, até no de escolher ficar em casa e cuidar dos filhos!
Do Dia do Homem: a data existe. Internacionalmente é 19 de novembro. No Brasil, é lembrada em 15 de julho. Nos próximos, lembre-se de dar flores e bombons para os homens da sua vida. Tanto quanto nós, eles merecem valorização, carinho e cuidados.
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